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Migração na América Latina e no Caribe: tendências e estatísticas

Um avião da LATAM decola de uma pista sob céu nublado, com grama verde em primeiro plano e o logotipo da companhia visível na cauda. A aeronave aparece vista por baixo, ainda com o trem de pouso estendido e com as pontas vermelhas das asas contra o céu cinzento.

Um avião da LATAM, companhia aérea latino-americana. Imagem de Lukas Souza.

A migração na América Latina e no Caribe já não pode ser explicada apenas pela saída de pessoas rumo aos Estados Unidos. Essa rota continua sendo a maior, mas a região também abriga milhões de migrantes de países vizinhos, recebe e envia grandes volumes de remessas, administra deslocamentos humanitários e funciona como espaço de trânsito para pessoas que tentam chegar à América do Norte. O resultado é um sistema migratório regional no qual um mesmo país pode combinar várias posições. Ele pode ser origem e destino, além de funcionar como espaço de trânsito e retorno.

O Relatório Mundial sobre Migração 2026, publicado pela Organização Internacional para as Migrações (OIM), utiliza a edição de 2024 dos dados da ONU sobre estoque de migrantes. Esse detalhe é decisivo para interpretar os números: eles indicam onde pessoas nascidas no exterior viviam em determinado momento, não quantas cruzaram uma fronteira ao longo daquele ano. Dados de rotas, pedidos de asilo, deslocamento interno e remessas medem partes diferentes do mesmo processo.

No plano global, a OIM estima que havia cerca de 304 milhões de migrantes internacionais em meados de 2024, equivalentes a 3,7% da população mundial. A América Latina e o Caribe representam apenas parte desse total, mas a região participa de alguns dos maiores corredores migratórios do mundo. O corredor México-Estados Unidos continua sendo o maior corredor entre dois países. Além disso, o deslocamento venezuelano transformou a América do Sul em um dos principais espaços de política de proteção e regularização transfronteiriça.

Padrão regional

O padrão de longo prazo mais forte é o movimento da América Latina e do Caribe para a América do Norte. Segundo o capítulo regional do Relatório Mundial sobre Migração 2026, mais de 27 milhões de pessoas nascidas na América Latina e no Caribe viviam na América do Norte em 2024. Em 1990, o número equivalente era pouco inferior a 10 milhões. Essa mudança reflete vários mecanismos atuando ao mesmo tempo. A demanda por trabalho e a reunificação familiar consolidaram rotas estáveis, enquanto a violência, as crises econômicas e a proximidade geográfica mantiveram o movimento politicamente visível.

A Europa é o segundo grande destino externo. Em 2024, cerca de 6 milhões de pessoas nascidas na América Latina e no Caribe viviam em países europeus, contra quase 5 milhões em 2020. A Espanha recebe muitos migrantes da região porque a língua, as regras de cidadania e os laços familiares reduzem algumas barreiras de instalação. Portugal, a Itália e outros países europeus também recebem migrantes latino-americanos e caribenhos, mas a Europa continua sendo um destino menor do que a América do Norte.

A migração intrarregional se tornou uma das principais mudanças desde 2020. Cerca de 14 milhões de migrantes que viviam na América Latina e no Caribe em 2024 haviam nascido em outro país da própria região. O número comparável era pouco inferior a 11 milhões em 2020. O deslocamento venezuelano explica grande parte desse aumento, mas não toda a história. Haitianos, cubanos e nicaraguenses também se movem dentro da região. Colombianos, equatorianos e centro-americanos aparecem em rotas de trabalho, sistemas de asilo e fluxos de trânsito rumo ao norte.

A região também recebe migrantes de fora da América Latina e do Caribe, embora em escala menor. O relatório de 2026 estima que o número total de migrantes de outras regiões vivendo ali permaneceu próximo de 3 milhões ao longo dos últimos 35 anos. Em 2024, aproximadamente 1,2 milhão havia nascido na Europa. Outros 1,3 milhão haviam nascido na América do Norte. Alguns são aposentados, investidores, profissionais ou migrantes de retorno com filhos nascidos fora; outros se mudam por trabalho, estudo ou família.

Esses números mostram por que o rótulo de “região de emigração” é estreito demais. O México, Cuba e a República Dominicana continuam sendo grandes países de origem de comunidades nos Estados Unidos. O mesmo vale para El Salvador, a Guatemala, a Colômbia e Honduras. Ao mesmo tempo, vários países abrigam populações migrantes significativas. Os maiores receptores incluem a Colômbia e o Peru. O Chile, o Brasil e o Equador também recebem fluxos relevantes, assim como a Argentina, a República Dominicana, o México e a Costa Rica. O problema político é que muitas instituições migratórias foram criadas quando os governos esperavam fluxos menores e mais previsíveis.

Principais corredores

O corredor México-Estados Unidos domina o mapa. O relatório de 2026 estima que cerca de 11 milhões de pessoas nascidas no México viviam nos Estados Unidos em 2024. Esse número é inferior ao pico de quase 12 milhões em 2015, mas ainda supera qualquer outro corredor migratório entre dois países. Ele resulta de uma longa história de trabalho agrícola, mão de obra industrial, comunidades fronteiriças, laços familiares e oportunidades econômicas desiguais entre países vizinhos.

Outros grandes corredores também levam aos Estados Unidos. Pessoas nascidas em El Salvador, na República Dominicana e em Cuba formam grandes comunidades no país. O mesmo ocorre com pessoas nascidas na Guatemala, na Colômbia e em Honduras. Cada corredor tem uma história própria. A migração cubana foi moldada pela Revolução Cubana, por dificuldades econômicas posteriores e por políticas específicas dos Estados Unidos. A migração salvadorenha, guatemalteca e hondurenha foi vinculada a conflitos civis e insegurança. Furacões, mercados de trabalho frágeis e redes familiares também influenciaram o deslocamento rumo ao norte.

Os dois grandes corredores fora dos Estados Unidos são venezuelanos: Venezuela-Colômbia e Venezuela-Peru. A presença deles entre os maiores corredores regionais mostra a escala da crise venezuelana. Na prática, isso significa que a política migratória latino-americana já não trata apenas de vistos consulares e postos de fronteira. Ela também envolve matrícula escolar e sistemas de saúde. Permissões de trabalho, documentos de identidade e orçamentos municipais determinam se pessoas deslocadas poderão viver de forma regular e sustentar a si mesmas.

Dados de corredores não devem ser lidos como dados de fluxo anual. Um corredor é um estoque acumulado de pessoas nascidas em um país e residentes em outro. Se 11 milhões de pessoas nascidas no México vivem nos Estados Unidos, esse número inclui migrantes que chegaram décadas atrás, chegadas recentes, cidadãos naturalizados e diferentes situações jurídicas. Por isso, dados de estoque são úteis para mostrar o tamanho das comunidades, enquanto dados de fronteira ajudam a entender pressões de curto prazo em rotas de trânsito.

Deslocamento venezuelano

A crise venezuelana é o maior processo de deslocamento da história recente da América Latina e do Caribe. O Relatório Mundial sobre Migração 2026 afirma que cerca de 7,9 milhões de venezuelanos haviam deixado o país até novembro de 2024. Cerca de 85% deles foram para outro país latino-americano ou caribenho. Essa distribuição distingue o caso venezuelano de padrões migratórios que se dirigem principalmente aos Estados Unidos ou à Europa.

Os principais países receptores são próximos ou regionalmente acessíveis. A Colômbia recebeu cerca de 2,8 milhões de venezuelanos, enquanto o Peru recebeu cerca de 1,6 milhão. O Brasil, o Chile e o Equador também abrigam grandes populações venezuelanas. O relatório da OIM apresenta contagens ligeiramente diferentes conforme a categoria estatística usada. Alguns venezuelanos são contabilizados como refugiados ou solicitantes de asilo. Outros são tratados como pessoas que precisam de proteção internacional, ou como migrantes com status regular ou temporário.

A resposta jurídica foi incomum pela escala regional. A Colômbia criou, em 2021, um Estatuto de Proteção Temporária que ofereceu a venezuelanos elegíveis um caminho para residência de dez anos. O Peru lançou, em 2023, uma Permissão Temporária de Permanência para venezuelanos em situação irregular. A Argentina, o Brasil, o Equador e o Peru também recorreram a regras documentais flexíveis em momentos diferentes. Em alguns casos, essas regras aceitaram passaportes vencidos ou documentos de identidade. Essas medidas não eliminaram a irregularidade, mas deram a muitas pessoas uma forma de trabalhar, matricular filhos na escola e usar serviços públicos.

A R4V, plataforma regional coordenada pela OIM e pelo ACNUR, mostra por que o status jurídico é apenas parte do problema. Seu Plano Regional de Resposta a Refugiados e Migrantes para 2025-2026 afirma que governos receptores forneceram documentação migratória ou reconhecimento como refugiados a cerca de 4,5 milhões de refugiados e migrantes venezuelanos. Mesmo assim, a R4V estimou que 4,18 milhões de venezuelanos em países de destino ainda enfrentavam dificuldades para acessar serviços essenciais, proteção e integração socioeconômica nos 17 países cobertos pela resposta.

O caso venezuelano também mostra o efeito das restrições de visto. O relatório de 2026 observa que muitos países inicialmente permitiram a entrada de venezuelanos sem visto, mas a maioria introduziu exigências posteriormente. Essas medidas reduziram algumas entradas regulares, ao mesmo tempo em que empurraram pessoas para rotas irregulares e status mais precários. A exigência de visto adotada pelo México em 2022 é um exemplo: entradas regulares caíram, enquanto o movimento irregular depois superou as chegadas regulares.

América Central, México e a rota do Darién

A América Central e o México ficam entre a América do Sul e os Estados Unidos, por isso sua política migratória combina pressões de origem, trânsito, destino e fiscalização. Pessoas da Guatemala, de Honduras, de El Salvador e da Nicarágua continuam se movendo por causa de insegurança e baixos salários. Redes familiares, serviços públicos frágeis e choques climáticos também influenciam esses deslocamentos. Ao mesmo tempo, pessoas da Venezuela, do Haiti, de Cuba e do Equador usam a região como rota para o norte. Alguns migrantes de fora das Américas também seguem esse percurso.

O Tapón do Darién, entre a Colômbia e o Panamá, tornou-se o símbolo mais claro desse sistema de rotas. A travessia passa por uma selva marcada por rios, lama e baixa capacidade de resgate. Grupos criminosos, violência sexual e extorsão tornam a jornada mais perigosa. Para muitos migrantes, cruzar o Darién significa que a viagem aérea regular, o acesso a vistos ou rotas terrestres mais seguras já haviam sido fechados ou se tornado caros demais.

Os dados de rota mudaram bruscamente depois de 2024. Na edição de maio a agosto de 2025 de seu panorama global de rotas, a Matriz de Rastreamento de Deslocamento da OIM informou que os trânsitos irregulares pela região do Darién haviam caído 99% em comparação com 2024. O dado se refere ao trecho panamenho da rota. A OIM também informou que 92% dos fluxos seguiam para o sul, em direção à América Central e à América do Sul, não para o norte. Essa reversão acompanhou maior fiscalização e mudanças na política dos Estados Unidos. Medidas panamenhas, economias esgotadas e expectativas frustradas de asilo também levaram algumas pessoas a abandonar a rota rumo ao norte.

A queda nas travessias do Darién mostra como sinais políticos e de fiscalização podem redirecionar rapidamente os deslocamentos. Rotas podem se fechar, se inverter ou ficar menos visíveis mesmo quando as pressões que levam à migração permanecem. Algumas pessoas retornam ao sul. Outras ficam no México, na Costa Rica, no Panamá ou na Colômbia. Algumas esperam por agendamentos, opções de regularização ou trabalho. Outras escolhem rotas mais escondidas, o que costuma dar mais controle a atravessadores e grupos criminosos.

Para os governos, o problema das rotas é administrativo e humanitário. Países de trânsito precisam de abrigos, sistemas de registro, serviços de saúde, proteção infantil e capacidade policial. Países de destino querem controlar entradas e acesso ao asilo. Países de origem lidam com os efeitos sociais da emigração e do retorno. Nenhum governo controla toda a rota, razão pela qual a fiscalização em um país frequentemente desloca a pressão para outro.

Mobilidade no Caribe

O Caribe tem uma lógica migratória própria. Alguns países caribenhos apresentam altas taxas de emigração porque mercados de trabalho pequenos não absorvem todos os trabalhadores, sobretudo em profissões especializadas. Os Estados Unidos, o Canadá e o Reino Unido têm comunidades caribenhas antigas. Os Países Baixos, a França e a Espanha também receberam migração caribenha, em muitos casos por vínculos coloniais, idioma, turismo, educação e empregos em serviços. As remessas ajudam muitos domicílios, mas a emigração também pode reduzir a oferta de enfermeiros, professores e outros trabalhadores qualificados.

O Caribe também é destino e área de trânsito. Nos Estados insulares, a política migratória muitas vezes precisa lidar ao mesmo tempo com escassez de mão de obra, laços de diáspora e chegadas humanitárias repentinas. O deslocamento venezuelano alcançou Trinidad e Tobago, Aruba e Curaçao. Também chegou à República Dominicana e à Guiana, entre outros lugares. A crise haitiana acrescentou outra camada. A violência de gangues, a instabilidade política e o colapso econômico deslocaram haitianos internamente e para o exterior, enquanto a República Dominicana endureceu a fiscalização e as deportações. Cuba também registrou grande movimento de saída, especialmente rumo aos Estados Unidos e por meio de terceiros países.

Arranjos regionais de mobilidade têm relevância, mas não removem todas as barreiras. As regras da CARICOM permitem que algumas categorias de nacionais qualificados circulem e trabalhem em partes do Mercado e Economia Únicos do Caribe. Na prática, a implementação varia conforme o país, a ocupação e a documentação. Isso cria uma distância entre a mobilidade regional formal e a realidade enfrentada por trabalhadores de baixa renda, solicitantes de asilo e pessoas sem documentos completos.

O risco ambiental é parte constante da mobilidade caribenha. Furacões, enchentes, erosão costeira e danos à infraestrutura podem provocar deslocamento temporário, realocação de longo prazo ou nova emigração. Em pequenos Estados insulares, uma única tempestade pode danificar moradias e receita turística ao mesmo tempo. Escolas, hospitais e dívida pública passam então a integrar o problema migratório. A migração vira uma entre várias estratégias domésticas: uma família pode enviar um integrante ao exterior, depender de remessas para reconstruir ou se mudar internamente para longe de áreas expostas.

Remessas e desenvolvimento

Remessas conectam migração à vida econômica cotidiana. O relatório de 2026 informa que as remessas globais deveriam chegar a 905 bilhões de dólares em 2024, incluindo 685 bilhões destinados a países de baixa e média renda. O México foi o segundo maior receptor de remessas do mundo em 2024, com 67,64 bilhões de dólares. A Guatemala também apareceu entre os dez maiores receptores, com 21,64 bilhões.

Esses fluxos têm efeitos concretos para as famílias. Eles pagam comida e aluguel. Também cobrem remédios, despesas escolares, reparos na casa e dívidas. Durante desastres ou crises econômicas, as remessas podem chegar mais rápido do que a assistência pública. Para alguns países da América Central e do Caribe, elas representam parcela importante da renda nacional. Por isso, mudanças na política migratória dos Estados Unidos podem afetar o consumo doméstico muito além do território estadunidense.

As remessas reduzem dificuldades para muitas famílias, mas não substituem investimento público nem emprego estável no país de origem. Um domicílio que recebe dólares do exterior pode melhorar sua moradia ou suas perspectivas educacionais, enquanto a economia local continua sem empregos, segurança ou infraestrutura suficientes. Além disso, as remessas dependem dos salários e da situação jurídica dos migrantes no exterior. Famílias nos países de origem sentem rapidamente mudanças de política externa quando migrantes perdem emprego, enfrentam deportação ou passam a usar canais informais.

Os custos de transferência continuam sendo um tema de política pública. Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável fixaram a meta de reduzir o custo médio de envio de remessas para menos de 3%. O relatório de 2026 informa que os custos caíram em várias regiões, mas continuam acima dessa meta. Em 2023, os custos médios na América Latina e no Caribe estavam em torno de 5,9%. Para famílias de baixa renda, essa diferença é dinheiro que deixa de chegar a quem recebe a transferência.

Desastres, violência e deslocamento interno

Estatísticas migratórias muitas vezes se concentram em pessoas que cruzam fronteiras, mas muitos habitantes da região se deslocam primeiro dentro do próprio país. Desastres produziram alguns dos maiores deslocamentos internos da América Latina e do Caribe em 2024. O relatório de 2026, com dados do IDMC, registrou mais de 1 milhão de deslocamentos internos por desastre no Brasil, principalmente ligados às enchentes no Rio Grande do Sul. Cuba registrou cerca de 480 mil deslocamentos por desastre, em grande parte depois dos furacões Oscar e Rafael.

Conflitos e violência criminal também forçam deslocamentos dentro das fronteiras nacionais. O Haiti registrou quase 900 mil deslocamentos associados a conflito em 2024, e mais de 1 milhão de pessoas estavam internamente deslocadas no país ao fim daquele ano. A Colômbia registrou 388 mil deslocamentos internos por conflito, enquanto o Equador registrou mais de 100 mil. Esses casos mostram que o deslocamento regional não decorre apenas da pobreza ou da migração voluntária por trabalho. Grupos armados, controle territorial, extorsão e fragilidade estatal podem obrigar pessoas a sair mesmo quando elas prefeririam ficar.

A mobilidade relacionada ao clima tende a se tornar mais visível, mas deve ser descrita com cuidado. Um furacão, uma seca ou uma enchente raramente atua sozinho. O evento afeta a migração por meio de colheitas, dívidas, moradia e emprego local. Seguros, serviços públicos e percepções de risco futuro influenciam quem consegue permanecer e quem se desloca. Pessoas com dinheiro podem sair antes de um desastre ou reconstruir depois. Pessoas com menos recursos podem ficar presas em áreas expostas ou ser empurradas para formas mais arriscadas de mobilidade.

Escolhas de política

A América Latina e o Caribe experimentaram mais regularização do que muitas outras regiões. A resposta venezuelana é o exemplo mais claro de regularização em larga escala na região. Outros instrumentos incluem acordos regionais de residência, vistos humanitários e canais de asilo. Vistos de trabalhador fronteiriço e arranjos limitados de livre circulação também têm função. Esses mecanismos permitem que governos identifiquem pessoas, coletem dados e autorizem trabalho. Também reduzem o poder de atravessadores sobre migrantes que, de outra forma, permaneceriam irregulares.

Os limites também são claros. Programas de regularização exigem capacidade administrativa, financiamento e apoio político. Quando documentos expiram, agendamentos são escassos, taxas são altas ou empregadores discriminam, o status legal no papel pode não produzir inclusão estável. Governos locais frequentemente carregam o ônus prático, porque migrantes vivem em cidades e áreas de fronteira, não em documentos nacionais de política pública. Escolas, clínicas e fiscais do trabalho precisam de recursos para que a regularização seja mais do que registro.

Políticas restritivas podem reduzir travessias visíveis no curto prazo, mas frequentemente deslocam o movimento para outro lugar. Exigências de visto, deportações e fechamentos de fronteira podem reduzir uma rota enquanto aumentam entradas irregulares, permanências além do prazo autorizado, tarifas de atravessadores ou fluxos de retorno. Estados conservam o direito de regular fronteiras. A fiscalização funciona melhor quando acompanhada de vias legais, sistemas de documentação e regras trabalhistas. Capacidade de asilo e cooperação com países vizinhos determinam se a pressão será compartilhada ou apenas deslocada.

O sistema migratório regional continuará sendo misto. Algumas pessoas se moverão por trabalho ou estudo. Outras fugirão de violência, desastre ou crise política. Algumas retornarão, circularão ou se instalarão de forma permanente. A questão central de política pública é quanto desse movimento ocorrerá por canais regulares que permitam identificação, trabalho, tributação e acesso a serviços básicos. Quando esses canais são estreitos demais, a migração não cessa; ela se torna mais cara, menos visível e mais perigosa.

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