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Teorias da migração: por que as pessoas migram?

Esta imagem retrata um terminal de aeroporto movimentado com passageiros envolvidos em várias atividades. O foco central é um grande painel de informações de voos mostrando uma lista de voos, horários e números de portão, iluminado em luzes de LED vermelhas e azuis. São 12:08, conforme indicado pelo relógio acima do painel. No primeiro plano, uma jovem com cabelos longos e escuros, vestindo uma camisa floral e uma saia marrom, está de costas para a câmera. Ela tem uma mochila azul nas costas e está segurando um smartphone nas mãos, possivelmente verificando os detalhes do seu voo. Ao redor da mulher, há outros viajantes que estão andando, parados ou interagindo uns com os outros. À esquerda, há um casal se abraçando, provavelmente se despedindo ou se reunindo. Há indivíduos com bagagem a reboque, alguns aparentemente em meio a conversas. O terminal apresenta elementos arquitetônicos modernos, com um teto alto e luz natural filtrando. Um letreiro que diz “JCDecaux Airport” é visível, sugerindo publicidade ou branding dentro do terminal. A atmosfera do terminal transmite um cenário típico de aeroporto com uma mistura de partidas, chegadas e a correria comum das viagens.

Um terminal de aeroporto cheio de passageiros. Imagem de Jan Vašek.

A migração pode ser internacional ou interna, voluntária ou forçada. Em todos os casos, é um processo complexo, moldado por decisões individuais, estratégias familiares, mercados de trabalho, regras estatais e condições sociais. Tradicionalmente, estudiosos a interpretaram como consequência de diferenças geográficas entre regiões, sobretudo em trabalho e renda. Qualidade de vida, liberdade política, pressão ambiental e comunidades migrantes já estabelecidas também podem influenciar a decisão de se mudar. No final do século XIX, cientistas sociais começaram a perguntar por que as pessoas migram e formularam várias explicações. Estas são as principais teorias que tentam dar sentido às causas da migração:

  • Teoria push-pull: Afirma que as regiões têm fatores que empurram as pessoas para fora ou as atraem para dentro.
  • Teoria neoclássica: Afirma que as pessoas migram para regiões onde o mercado de trabalho precisa de trabalhadores, ou para regiões onde o mercado recompensa melhor suas habilidades.
  • Teorias da globalização: Afirmam que a migração pode ou não ser incentivada pelo processo de globalização.
  • Teoria do mercado de trabalho dual: Afirma que dois tipos de pessoas migram para economias desenvolvidas — tanto trabalhadores de alta renda quanto de baixa renda.
  • Teoria da Nova Economia da Migração de Trabalho (NELM, em inglês): Afirma que a decisão de migrar é tomada por famílias inteiras, em vez de pessoas individuais.
  • Teoria da diáspora: Afirma que membros de grupos étnicos ou nacionais se espalham pelo mundo, mas mantêm contato próximo uns com os outros no exterior.
  • Teoria das redes de migração: Afirma que os migrantes desenvolvem redes de apoio que incentivam outras pessoas a migrar também.
  • Teoria dos sistemas de migração: Afirma que a migração é um processo que possui fluxos bidirecionais, afetando tanto as origens quanto os destinos dos migrantes.
  • Teoria da transição migratória: Afirma que a migração varia de acordo com o nível de desenvolvimento de uma região.

Teoria push-pull

A teoria push-pull entende a migração como resposta a condições que dificultam permanecer em um lugar e tornam outro destino mais atraente.

Alguns deles são:

  • Fatores políticos: Pessoas fogem de regiões que estão passando por conflitos violentos, guerras civis, níveis crescentes de criminalidade ou instabilidade política.
  • Fatores econômicos: Pessoas se mudam em busca de melhores empregos.
  • Fatores culturais: Pessoas se mudam para regiões onde se sentem bem-vindas, como regiões onde seu idioma nativo é falado.
  • Fatores ambientais: Pessoas fogem de desastres naturais, como terremotos, ou mesmo de processos ambientais graduais, como o aumento do nível do mar, que tem representado uma ameaça existencial para pequenos países insulares.
  • Fatores demográficos: Pessoas se mudam de regiões densamente habitadas para lugares onde há menos pressão sobre os serviços públicos, tráfego urbano, etc.

No século XIX, o geógrafo anglo-alemão Ernst Ravenstein afirmou que a principal causa da migração são os fatores econômicos. Nos anos seguintes, vários estudiosos contestaram seu argumento. Alguns autores associaram a migração à distância entre regiões. Outros enfatizaram o tamanho das populações ou a força relativa das economias locais. Em 1966, Everett Lee acrescentou que a migração depende de pressões push-pull, de obstáculos ao deslocamento e da disposição individual para migrar.

O problema dos modelos push-pull é que eles são sobretudo descritivos.

Eles consideram muitos fatores para explicar a migração, mas explicam pouco as relações entre eles.

Além disso, os modelos push-pull explicam mal por que uma mesma região pode atrair alguns migrantes e repelir outros, ou por que certos migrantes decidem retornar aos seus lugares de origem.

Teoria neoclássica

Como sua contraparte na economia, a teoria neoclássica sobre a migração é baseada na ideia de equilíbrio. Nessa visão, a imigração e a emigração se equilibram no longo prazo. Em geral, os adeptos dessa teoria acreditam que a migração é explicada por diferenças geográficas nos mercados de trabalho.

Na teoria neoclássica, as pessoas se deslocam de regiões com excesso de mão de obra para regiões onde faltam trabalhadores e os salários são mais altos.

Esse processo faz com que os salários aumentem na região de origem e diminuam na região de destino. Eventualmente, um ponto de equilíbrio é alcançado, e os salários acabam sendo exatamente os mesmos em ambas as regiões.

Em 1970, John Harris e Michael Todaro se inspiraram na escola de pensamento neoclássica para criar o modelo Harris-Todaro.

É um modelo que tenta explicar a migração do campo para a cidade. Harris e Todaro estavam especialmente preocupados com o fato de que populações rurais continuavam a migrar para as cidades mesmo quando os empregos urbanos se tornavam cada vez mais difíceis de encontrar. Segundo o modelo, o aumento do desemprego urbano não interrompe automaticamente a migração rural, porque potenciais migrantes comparam o salário urbano esperado ao salário rural. Se o retorno esperado continuar maior na cidade, trabalhadores rurais ainda têm incentivo para migrar.

Assim, o êxodo rural pode continuar enquanto a diferença salarial superar o risco de desemprego.

Outra vertente do pensamento neoclássico é a teoria do capital humano, proposta por autores como Larry Sjaastad em 1962. Ele argumentou que as pessoas têm habilidades e conhecimentos diferentes, e que o valor desse “capital humano” pode variar entre regiões. Em países em desenvolvimento, por exemplo, engenheiros especializados podem ter dificuldade para encontrar empregos compatíveis com suas qualificações. Alguns acabam na economia de plataformas, inclusive como motoristas de aplicativos de transporte. Segundo essa teoria, as pessoas têm incentivo para migrar quando acreditam que outros mercados de trabalho recompensarão melhor suas capacidades.

Um exemplo é o de trabalhadores jovens cuja formação supera o que o mercado local consegue absorver e que, por isso, esperam salários mais altos em outro lugar.

As teorias neoclássicas de migração são geralmente criticadas por suas suposições.

Elas assumem que as pessoas são racionais, que têm informações confiáveis sobre diferenças salariais entre regiões e que a migração não é bloqueada por grandes obstáculos. Na prática, informações precisas sobre salários em outras regiões podem ser difíceis de obter. Mesmo com essas informações, as pessoas podem decidir ficar por vínculos familiares, aversão ao risco, identidade ou apego ao lugar. A migração real também enfrenta obstáculos legais, físicos e sociais. Em países desenvolvidos com mercados de trabalho mais bem remunerados, esses obstáculos podem incluir vistos, controles de fronteira, muros e xenofobia.

Teorias da globalização

A globalização é o processo pelo qual o mundo se torna mais integrado, com pessoas, empresas e governos engajando-se em fluxos e interações cada vez maiores. Esse processo pode ser visto de forma positiva ou negativa.

Em um mundo globalizado, a migração é moldada por pressões opostas:

  • Avanços nas tecnologias de comunicação e transporte facilitam a migração, ainda que os Estados preservem barreiras políticas de entrada. À distância, as pessoas podem ver como é a vida em outros lugares e usar rotas marítimas, aéreas e terrestres maduras para se deslocar.
  • As mesmas tecnologias podem reduzir a necessidade de migração permanente. Pessoas podem viajar temporariamente, circular entre cidades ou trabalhar no exterior por um período limitado antes de retornar ao local de residência original.

Por exemplo, muitas pessoas praticam migração pendular: o deslocamento regular entre a residência e o local de trabalho, frequentemente em cidades diferentes. Outras usam vistos de férias-trabalho, que permitem trabalhar em um país estrangeiro por um período prolongado, mas temporário.

De acordo com estudiosos marxistas da política mundial, como Immanuel Wallerstein, a globalização faz com que a migração dependa menos dos desejos individuais. Nessa perspectiva, a migração é consequência de interações sistêmicas que reforçam desigualdades globais, pois trabalhadores altamente qualificados muitas vezes deixam seus países de origem e se mudam para economias desenvolvidas. Essa lógica aparece na forma como os Estados facilitam a migração de pessoas com muito dinheiro ou conhecimento raro, especialmente por meio de “vistos dourados” ou vistos para pessoas com habilidades extraordinárias. Nas palavras do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, “As riquezas são globais, a miséria é local”.

Uma crítica às teorias marxistas sobre a relação entre globalização e migração é que trabalhadores qualificados podem melhorar sua vida ao migrar, ainda que seu deslocamento também reflita desigualdade global.

Teoria do mercado de trabalho dual

Michael Piore ajudou a desenvolver essa abordagem no livro Birds of Passage: Migrant Labor and Industrial Societies, publicado em 1979.

A teoria do mercado de trabalho dual sustenta que economias desenvolvidas atraem dois tipos distintos de migrantes porque precisam tanto de trabalho especializado bem remunerado quanto de serviços de baixa remuneração.

  • Trabalhadores altamente qualificados: São selecionados por seu capital humano ou por pertencerem a uma elite privilegiada. Em geral, enfrentam pouca dificuldade para obter vistos e autorizações de trabalho, e seus empregos costumam ser bem remunerados.
  • Trabalhadores pouco qualificados: Em vez de serem selecionados por canais privilegiados, migram para desempenhar trabalhos complementares, como limpeza, comércio varejista, atendimento ao cliente, serviço doméstico e trabalho agrícola. Alguns ultrapassam a validade de seus vistos ou trabalham sem status regular.

Essa abordagem sustenta que trabalhadores pouco qualificados com status migratório irregular cumprem funções econômicas e políticas. Migrantes irregulares são vulneráveis a abusos por parte de empregadores. Esses abusos podem incluir jornadas excessivas, roubo de salários, condições inseguras de trabalho, violência física, violência verbal ou servidão por dívida. Assim se forma uma mão de obra obediente que pode ser explorada para reduzir custos. Certos políticos também se beneficiam da presença de migrantes irregulares. Eles podem apresentar migrantes como bodes expiatórios de condições econômicas ruins e direcionar hostilidade xenófoba contra eles, muitas vezes ajudando partidos de extrema direita que prometem endurecer a política migratória.

Nos Estados árabes do Golfo Pérsico, por exemplo, o sistema Kafala tem sido usado para controlar trabalhadores migrantes empregados na construção civil e no serviço doméstico. Esses trabalhadores costumam ficar sujeitos a condições laborais exploratórias porque seu status migratório depende dos empregadores. Muitos trabalhadores estrangeiros nesses países têm poucas chances de mobilidade ascendente, mas a diferença salarial ainda pode tornar a migração preferível às condições existentes em seus países de origem.

Teoria da Nova Economia da Migração de Trabalho (NELM)

A teoria NELM surgiu no final dos anos 1970, graças aos estudos de estudiosos como Oded Stark.

Essa perspectiva trata a migração como uma decisão familiar.

É uma teoria com vínculos com a antropologia e a sociologia porque examina como famílias pobres tentam melhorar suas vidas mesmo em contextos de desigualdade e adversidade.

De acordo com os defensores da teoria NELM, há várias razões que fazem uma família tomar a decisão de migrar:

  • A migração é uma forma de diversificar o trabalho dos membros da família, para que uma crise em um determinado lugar ou setor econômico não prejudique todos os parentes. Assim, as pessoas podem migrar mesmo que isso não aumente seus salários — afinal, apenas diversificar as fontes de renda pode ser valioso.
  • A migração é uma forma de ajudar os membros da família a arrecadar dinheiro suficiente para sustentar o negócio da família.

Assim, muitos migrantes que se mudam para empregos bem remunerados em outras regiões enviam remessas para casa. Material recente do Banco Mundial mostra a escala dessa dependência: no Tajiquistão, as remessas chegaram a cerca de 49% do produto interno bruto (PIB) em 2024, enquanto um informe do Banco Mundial sobre remessas estimou Tonga em aproximadamente 38% do PIB em 2024.

  • A migração é uma forma de lidar com a privação relativa: a circunstância em que uma família tem dinheiro suficiente para se mudar para outro lugar, e sabe que, ao fazer isso, as perspectivas para a família provavelmente melhorarão.

As teorias NELM têm sido criticadas por verem as famílias como uma “caixa preta” — ou seja, negligenciam as dinâmicas que ocorrem dentro de cada família.

Por exemplo, a migração pode ser uma forma de os filhos ganharem independência dos pais, ou de as mulheres escaparem de maridos abusivos. Além disso, em alguns casos, as famílias podem se separar porque os mais velhos não estão dispostos a deixar suas casas, enquanto os mais jovens desejam encontrar melhores empregos em outro lugar.

Teoria da diáspora

Como regra geral, uma diáspora é uma população que se espalhou pelo mundo após ser deslocada à força. O conceito foi aplicado aos africanos escravizados enviados para colônias americanas e asiáticas. Também foi aplicado aos judeus que fugiram da Alemanha nazista.

No uso comum atual, uma diáspora se refere a qualquer comunidade transnacional que compartilha certas características. O sociólogo sul-africano Robin Cohen descreveu essas características no livro Global Diasporas:

  • A comunidade está presente em muitos estados diferentes.
  • A comunidade migrou à força ou em busca de oportunidades comerciais ou coloniais.
  • Os membros da comunidade compartilham uma certa memória coletiva.
  • Em cada país estrangeiro, os membros da comunidade compartilham um senso de solidariedade entre si e participam de atividades comunitárias.

De acordo com os defensores da teoria da diáspora, como Alejandro Portes, uma diáspora surge tanto pelo incentivo de governos e empresas coloniais quanto pelo incentivo dos próprios migrantes.

Todavia, autores como Luis Eduardo Guarnizo afirmam que as diásporas iniciadas pelos próprios migrantes são raras e que as relações entre membros de uma diáspora são maiores dentro das classes privilegiadas.

Teoria das Redes de Migração

A teoria das redes de migração foca nas interações entre migrantes dentro de uma região e entre eles e aqueles que permaneceram nas regiões de origem.

A teoria das redes migratórias propõe que a migração pode começar por um choque estrutural e continuar porque redes reduzem os custos e os riscos do deslocamento.

Por exemplo, um aumento do desemprego ou um desastre natural pode levar as pessoas a procurar outro lugar para viver. A presença delas em outro destino pode dar origem a uma rede migratória que incentiva outras pessoas a migrar e reduz os custos e riscos do deslocamento.

Em países desenvolvidos, como os Estados Unidos e os que formam a União Europeia, migrantes experientes frequentemente ajudam recém-chegados a se instalar. Eles podem ajudar na busca por moradia, na candidatura a empregos e na abertura de contas bancárias. Também podem ajudar com procedimentos burocráticos. Além disso, migrantes experientes podem ser solicitados a convidar novos trabalhadores para seus locais de trabalho, a fim de atender à crescente demanda por mão de obra. Empresas especializadas também podem criar ou manter redes migratórias ao oferecer serviços como facilitação de vistos. Elas são conhecidas como a “indústria da migração”. Todos esses casos destacam o impacto dos efeitos de rede na migração.

Teoria dos sistemas de migração

Embora muitas teorias de migração, senão a maioria delas, enfatizem as consequências da migração para as regiões de destino, a teoria dos sistemas de migração analisa os efeitos recíprocos que os migrantes produzem nos lugares de origem e de destino.

Em 1970, o geógrafo nigeriano Akin Mabogunje apresentou um estudo abrangente da migração rural-urbana na África, mas suas ideias também podem ser extrapoladas para entender a migração internacional. Ele acreditava que os migrantes, ao serem bem recebidos e encontrarem uma vida melhor em outro lugar, relatavam essas boas novas aos amigos e parentes que ficaram para trás em seus lugares de origem.

Segundo Mabogunje, o fluxo de informações positivas dos destinos para os lugares de origem faz com que mais pessoas queiram migrar.

Além disso, essas pessoas geralmente querem migrar para lugares específicos que consideram os melhores destinos.

Outros autores elaboraram sobre as ideias de Mabogunje, particularmente dois sociólogos americanos.

De acordo com Peggy Levitt, os migrantes geram as chamadas “remessas sociais” — fluxos de ideias e identidades que chegam a certas regiões e mudam as aspirações das pessoas.

Em última análise, ela afirmou que as pessoas não ficariam mais satisfeitas com suas vidas atuais, pois existem vidas melhores em outros lugares.

Da mesma forma, Douglas Massey usou o conceito de “causalidade cumulativa” para argumentar que a migração engendra mudanças socioeconômicas nos lugares de origem. Ele acreditava que, se os migrantes fossem bem-sucedidos em suas empreitadas, surgiria uma “cultura de migração” e mais e mais pessoas desejariam migrar.

O argumento central da teoria dos sistemas de migração é que um certo fluxo de uma região para outra pode gerar outros fluxos, em ambas as direções.

O principal problema com essas teorias é que elas falham em explicar o surgimento e o declínio dos sistemas de migração.

Por exemplo, a maioria das migrações iniciais de um lugar para outro não cria sistemas migratórios. Movimentos nômades mostram como o deslocamento pode ocorrer sem produzir uma rota estável. Além disso, algumas rotas consolidadas podem declinar quando dependem de recursos naturais esgotados. Fluxos entre cidades mineradoras e cidades portuárias, por exemplo, costumam perder intensidade à medida que as reservas minerais se esgotam.

Outro problema é que essas teorias negligenciam os aspectos negativos dos sistemas de migração, que podem ser exclusivistas ou não ser positivos de forma alguma.

Certas comunidades cubanas nos Estados Unidos, por exemplo, relutam em acolher apoiadores do regime comunista que governa seu país de origem. Essas pessoas são ativamente discriminadas em termos de ofertas de emprego na economia informal. Além disso, migrantes em geral podem não estar dispostos a apoiar outros migrantes. Afinal, eles podem competir entre si por empregos e moradias. Também podem disputar ajuda humanitária ou regularização do status migratório.

Teoria da transição migratória

Em 1971, o geógrafo americano Wilbur Zelinsky introduziu a teoria da transição migratória, sob a influência da teoria da transição demográfica de Warren Thompson.

A teoria da transição migratória vincula a intensidade e a direção da migração ao nível de urbanização e desenvolvimento econômico de uma sociedade. Em termos simples, ela descreve as seguintes fases da migração, com mudanças em seus padrões ao longo do tempo:

  • Em sociedades pré-modernas, que são aquelas que ainda não se urbanizaram, há pouca ou nenhuma migração.

As pessoas estão acostumadas a viver sempre no mesmo lugar e há pouca esperança de algo diferente, porque as redes de comunicação e transporte ainda são inadequadas para a migração.

  • Em sociedades em transição inicial, que são aquelas que estão começando a se urbanizar, a migração aumenta substancialmente.

As pessoas passam a lidar com crescimento populacional, redução de empregos rurais e mudança tecnológica. Essas pressões produzem um movimento massivo de pessoas do campo para as cidades.

  • Em sociedades em transição tardia, que são aquelas em que as cidades são mais proeminentes que as áreas rurais, a migração urbano-urbana aumenta enquanto a migração rural-urbana diminui.
  • Em sociedades avançadas e super-avançadas, quase toda a migração é urbana e há muito mais imigração do que emigração.

As pessoas que vivem em tais sociedades não estão dispostas a se mudar para outros lugares, enquanto as pessoas de regiões menos desenvolvidas estão mais do que dispostas a migrar para um lugar melhor.

A teoria da transição migratória recebeu apoio empírico em vários contextos, sobretudo onde a urbanização e o desenvolvimento ampliam a mobilidade. Os dados globais atuais também qualificam essa afirmação. O relatório de 2024 da Organização Internacional para as Migrações, com base em dados da ONU sobre estoque migratório, mostra que a maioria dos migrantes internacionais vive em países com IDH muito alto, enquanto o Banco Mundial enfatiza que diferenças de renda continuam sendo um motor central do deslocamento. Portanto, o desenvolvimento pode ampliar a mobilidade, mas países ricos de destino ainda moldam os maiores corredores migratórios por meio de salários, vistos, demanda de trabalho e controles de fronteira.

Os defensores dessa teoria devem ter em mente, portanto, que a correlação entre migração e desenvolvimento não é nem inevitável nem irreversível.

A capital do Líbano, Beirute, já foi considerada a “Paris do Oriente” porque era um lugar desejável para viver. Contudo, a guerra e a instabilidade política devastaram o país na segunda metade do século XX.

Conclusão

As teorias da migração tentam explicar por que as pessoas deixam suas casas e se estabelecem em outro lugar. As abordagens iniciais enfatizavam os atributos dos lugares, sobretudo as diferenças entre mercados de trabalho. Nas décadas de 1970 e 1980, alguns teóricos trataram a migração como consequência de interações sistêmicas dentro do capitalismo. O foco deles estava na forma como a desigualdade global afeta de modo distinto trabalhadores muito mal remunerados e trabalhadores altamente remunerados. Abordagens mais recentes enfatizam dinâmicas sociais. A teoria NELM concentra-se nas decisões familiares, enquanto a teoria da diáspora e a teoria das redes examinam o papel de comunidades mais amplas. Em conjunto, essas perspectivas mostram que a migração surge de incentivos, restrições, instituições, famílias e redes sociais, e não de uma única causa.

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